Capítulo 9 - A História da Empresa

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A empresa, onde trabalho, foi fundada há mais ou menos dez anos. Eram dois sócios naquela época: Dario e Pedro. Os dois eram felizes e caminhavam juntos para o sucesso como a melhor empresa de consultoria de informática do Rio de Janeiro. Os projetos choviam aos montes e o dinheiro entrava em enxurrada. Mas as coisas não seguiram como se imaginava.

Dario era o sócio majoritário e Pedro tinha algumas cotas. Acho que, por isso, Pedro resolveu fazer algumas mutretas pra conseguir um pouco mais de dinheiro dentro daquele lugar. Resumindo: Pedro roubou bastante, ferrou todos os projetos e a empresa foi pro buraco. Quando Dario descobriu, quase matou o desgraçado. Enxotou o sujeito como se fosse um cachorro sarnento sem dono. Isso foi muito engraçado e eu fiz questão de estar na primeira fila para assistir, pois Pedro enchia o meu saco. Sempre com analogias, os projetos eram comparados a carros sem motor, sem porta, sem volante e por ai vai.

A empresa estava falindo e Dario desesperado. Foi quando resolveu vender tudo a preço de banana para um grupo italiano em troca de um cargo na diretoria. Como eu tenho muita sorte, ele conseguiu a diretoria de TI. Desde então, inferniza a vida de todos e, claro, a minha também.

Eu fui recentemente promovido a gerente de um projeto grande, para a área financeira de uma empresa de varejo, que por sinal, é muito bem estruturada. Também fui responsável por outros projetos, mas não era o gerente desses. Os gerentes originais pularam do barco e deixaram o legado para mim. Desde então, Dario não larga do meu pé nem pra ir ao banheiro. Esse projeto pode ser o meu caminho para a glória ou a minha passagem para a rua. Se depender dele, provavelmente irá acontecer a segunda opção.

Por enquanto sou gerente-peão, ou seja, também coloco a mão na massa, mas espero que isso mude o mais rápido possível. Agora, falando sério, existe algum peão promovido para gerente que é respeitado como tal em alguma empresa? Se você mudar de empresa, tudo bem, começa-se tudo de novo. Agora, se não, é o que eu digo: uma vez peão, sempre peão!

Tenho atualmente dois funcionários abaixo de mim: Rodrigo e Ana Cláudia. Rodrigo é o analista de requisitos. Coitado, o sujeito deve ter entrado na fila da burrice umas novecentas e vinte e sete vezes antes de nascer, pois é burro feito uma porta. E a porta é daquelas de carvalho, bem grossas e pesadas. Infelizmente, não posso demiti-lo. Primeiro que sou um gerente sem poder de decisão e segundo porque ele é sobrinho de Dario, ou seja, intocável.

Ana Cláudia é a arquiteta do sistema. Muito inteligente, ela sempre me salva nos incêndios, já que o Rodrigo não serve pra nada. Ela só tem um defeito: é feia demais.

Toda vez que olho com mais afinco para ela, vejo em seus olhos a dor que ela deve sentir ao se olhar no espelho. Fico imaginando ela chorando, socando o espelho com as mãos e pedindo ajuda a Deus para melhorar sua aparência. “Porque eu nasci assim?! Por quê? Você não gosta de mim?”. Coitada, fico até com pena.

Apesar de tudo, somos uma equipe feliz. Feia e burra, mas feliz.

Ah! Esqueci de dizer que hoje o Pedro é vendedor de carros. Engraçado não?