É isso...

ATUALIZADO!!!

Pessoal,

Depois de muito tempo sem passar por aqui, queria dizer uma novidade.
Como as editoras hoje em dia são muito chatas e só publicam os livros de quem aparece na mídia ou é famoso lá fora, resolvi publicar o livro em um site de impressão por demanda.

Se alguém gostou do texto, quer presentear alguém que não consegue ler no monitor ou mesmo ter o livro em casa para ler no banheiro, segue abaixo o link de venda:


E ajudem a divulgar, por favor!

Abraços!

Eduardo Martins

Obs.: Ah! Preparem-se, pois a história de David irá continuar. Como já é moda, estou preparando uma trilogia! ;-)

Só pra adiantar o título da segunda parte:

Relatos de um Analista: O Caso do Maníaco dos Cofrinhos

****************************

Bom, acabou... rs

Acho que ficou bem legal, eu pelo menos ri sozinho algumas vezes escrevendo esse texto.
Para os que gostaram, espero que divulguem para que os outros possam ler também.
Para os que não gostaram, tudo bem... ninguém é perfeito.

Irei começar a enviar esse texto compilado para as editoras, então, por favor, torçam por mim.

Estou preparando um novo blog, que será divulgado aqui, com o meu outro livro, bem diferente deste. É um suspense, passado no Rio de Janeiro, o meu primeiro livro. Gostei muito de escrevê-lo e espero que vocês também gostem.

Agradeço a todos que leram os capítulos da saga de David e esperem por novidades.

Abraços!

Eduardo Martins
Escritor em Crise
Obs.: Por favor, comentem!!

Capítulo 77 - No Outro Dia de Manhã

Sabe quando o despertador toca e você simplesmente o ignora? É exatamente isso que estou fazendo. O despertador não me interessa, nada me interessa. Além disso, hoje é sábado. Não era nem para ele ter tocado! Não quero abrir os olhos, pois tenho certeza de que não vou encontrá-la ao meu lado e isso tudo terá sido um sonho, um sonho muito bom e maravilhoso.

As posições, a duração, foi tudo perfeito. Nunca pensei que eu fosse tão viril assim. Ela não se cansava, não se cansava! Adormecemos juntos, ao mesmo tempo, como almas gêmeas, complementos um do outro. Foi uma experiência arrebatadora, perfeita. Acho que não tenho mais adjetivos para caracterizar tudo que passei. Era um tipo de sexo tântrico, nunca dantes realizado. Algo novo e impossível de se descrever.

Vou abrir os olhos e dar de cara com aqueles olhos verdes hipnotizantes, aquele rosto perfeito e seu sorriso branco, seguidos de um “Bom dia, meu amor!” numa voz doce e suave.

“Bom dia!”, disse, me virando para abraçá-la.

Infelizmente, alegria de pobre dura pouco.

Ao me virar para abraçá-la, não encontrei ninguém ao meu lado, apenas meu travesseiro babado.

O grito de Joana ecoou pelo ambiente. Será que Júlia se matou na minha sala? Se sim, será que foi por que ela ficou apaixonada demais e achou que não conseguiria viver sem mim? Ou pior, foi por que ela não gostou da noite, entrou em depressão e se matou por não ter feito a coisa certa? Isso vai me dar dor de cabeça.

“Quem fez isso?”, gritou Joana, adentrando o meu quarto.
“Isso o quê?”
“Destruíram tudo!”
“Tudo o quê?”
“Você é cego ou iditota? Alguém picotou todo o meu material de trabalho! Sabe quanto custa esse espartilho?”

Saber eu não sei, mas pelo estado da coisa, acho que ela não vai conseguir usar isso de novo.

“Você viu a Júlia por aí?”
“Quem?!”
“Júlia. A mulher que estava comigo.”
“Eu não acredito!”
“Não acredita em quê?”

Num ataque de fúria, Joana pulou em cima de mim e começou a me bater. Eu sei que não fazemos isso há algum tempo, mas acho que ela não está em suas melhores condições mentais. Eu só não entendi aonde eu entro na história e porque eu estou apanhando.

“Dá pra parar com essa porra?!”, gritei, tirando ela de cima de mim.
“Eu te odeio! Eu te odeio!”
“Isso eu já sei, agora dá pra explicar?”
“Ela te usou, seu idiota!”
“Do que você está falando?”
“Vocês homens são um bando de imbecis!”

Ela saiu correndo do quarto, chorando, e se trancou no banheiro. Pra falar a verdade, eu não estou entendendo muita coisa. Será que ela está achando que fui eu? Ou pior, será que ela está acusando Júlia de ter feito isso?

“Joana!”, disse, já na porta do banheiro.
“Saia daqui, seu imbecil!”

Realmente, só de espiar o quarto dela, deu pra perceber que o estrago foi grande. Tem roupa espalhada por todos os lados, quase todas picotadas. Imagina comprar isso tudo de novo?

“Você acha que foi Júlia?”
“Quem mais poderia ser, seu idiota?”
“Mas por que ela faria isso?”
“Eu roubei o melhor cliente dela!”

Conversa entre duas pessoas com uma porta no meio é no mínimo estranho. Às vezes você não consegue ouvir direito o que a outra pessoa diz, e, às vezes, você finge não ter escutado só pra pensar no que dizer logo em seguida. Tipo bate-papo na internet.

“Como assim roubou?”

Ela não respondeu e eu fiquei confuso agora. Vou deixar ela chorando e vou voltar a dormir. Quem sabe eu consigo sonhar com a minha deusa?

Deitando novamente na cama onde tudo aconteceu. Esse travesseiro está com o cheiro dela e... um papel?! Que papel amarelo é esse? Com certeza isso não é meu, pois eu odeio amarelo. Deve ser de Júlia, dizendo que me ama e que vamos ser felizes para todo o sempre.

Adorei a nossa noite, foi algo fantástico, muito bom mesmo. Desculpe-me por ter saído sem falar nada, mas o compromisso era importante. É um cliente com muito dinheiro, e paga muito bem, por isso não posso perdê-lo também. Depois que a vagabunda da sua irmã roubou o meu melhor cliente, fica difícil perder um cliente assim. Ah! Avisa pra ela que não se mexe com Júlia Toledo, ok? Por isso deixei uma surpresinha pra ela.

Adorei tudo em você. Muito vigoroso e tem uma pegada boa, gostosa.
Espero que possamos sair mais algumas vezes. É só marcar!

Beijos!
Jú.

PS: a conta para depósito é 003124-4, agência 154, Banco do Brasil. O Valor é R$ 600,00. Te dei um desconto de 50%.

Tempo para raciocinar. Ela é puta?! O cara que ela perdeu era um cliente e a minha irmã que roubou o infeliz?! Eu fui só um brinquedo nas mãos de uma pessoa vingativa?! Fala sério! Fiquei sem esposa, sem filhos, sem dinheiro no banco e com uma dor de cabeça por pelo menos seis meses (leia-se Joana reclamando no meu ouvido). Eu juro que, segunda-feira, eu mato a Regininha!
FIM

Capítulo 76 - O Pé

Com o carro estacionado perfeitamente torto, caminhamos para o elevador, um pouco distantes um do outro. Ela continua com uma cara estranha. Será que ela vai desistir?

“Tudo bem com você?”, perguntei, pressionando o botão do meu andar.
“Claro que sim.”
“Você está com uma cara estranha.”
“Não é nada.”
“Você quer continuar? Se quiser podemos fazer isso outro dia.”

Não acredito que acabei de dizer isso!

“Quero. Eu preciso disso, depois de tudo.”
“Tudo bem.”

Será que ela quer me fazer de objeto sexual e depois me jogar fora? Será que sou apenas um brinquedo? Será que ela só quer me usar? Até que não seria tão ruim.

“Não pense que estou te usando.”

Ela lê mentes!

“Não estou pensando isso.”
“Eu gosto de você.”
“Eu também gosto de você. Na verdade, eu e a torcida do Flamengo.”
“Você é engraçado.”, disse ela sorrindo, “E muito bonito também. Espanta-me você ainda ser solteiro.”.
“É que eu não encontrei a pessoa certa ainda, eu acho.”

Meu Deus! Faça com que eu fique quieto e pare de falar asneiras pelo menos até as três da manhã!

“É aqui”, disse, mostrando a porta do apartamento.

Para o meu espanto, ao abrir a porta, me deparei com uma casa arrumada e limpa. Hoje é sexta-feira! Dia de diarista! Não acredito que estou com tanta sorte assim!

“Sente-se. Vou pegar alguma coisa pra gente beber.”

Agora estou em apuros. Não deve ter nada nessa casa para beber, a não ser água ou algum refrigerante sem gás! Será que ofereço um café? Só se for para ela jogar na minha cara e me chamar de estúpido. Essa cozinha não tem nada!

Um vinho! Eu ganhei um vinho ano passado na churrascaria que fomos almoçar no final do ano! Ele deve estar escondido em algum lugar dessa despensa. Arroz, feijão, Trakinas, Trakinas, Trakinas, Trakinas... não é possível que Joana coma tanto biscoito! Esse maldito vinho deve estar no meio das garrafas.

Refrigerante diet, Refrigerante normal, Refrigerante Light, Cerveja... Cerveja! Mas está quente, essa merda! Como vou oferecer cerveja quente para ela? Será que se eu colocar um gelo fica bom? É capaz de dar caganeira quando a gente começar a transar. Vai ser como colocar bala de menta em garrafa de refrigerante. Não quero nem imaginar!

Lembro de ter colocado na geladeira. Será que está lá?

Água, água, torta, presunto, queijo podre. Tenho que lembrar de fazer uma limpeza nessa geladeira. Gelatina, frango, Vinho! Achei o desgraçado! E está gelado! Nem acredito! Agora as taças!

“Você gosta de vinho tin...”

Sabe aqueles momentos em que você olha para alguma coisa e leva um susto, deixando escapar qualquer coisa que esteja em suas mãos? Foi o que aconteceu.

Ela já estava sem o vestido, deitada no sofá, olhando para mim. Um espartilho azul claro cobria e torneava seu corpo estonteante. Uma meia-calça de mesma cor estava presa a pequenos prendedores, ligando-a ao espartilho. O cabelo solto e lindo escorria por seus ombros. A minha boca permaneceu aberta e só saí do transe quando senti o sangue escorrendo por entre os dedos de meu pé. Os copos tinham quebrado e cortado a minha pele, bem acima do dedão. Tinha que acontecer alguma coisa errada, não é?

“Você se cortou? Desculpa!”
“Não foi culpa sua, claro.”
“Você tem uma caixinha de primeiros socorros? Posso fazer um curativo para você.”
“Não precisa se incomodar. Eu mesmo posso fazer isso.”
“Eu já fiz curso de enfermagem. Faço isso em dois segundos e com garantia de permanência do curativo, mesmo com atritos constantes.”

Gostei da idéia dos atritos constantes.

“Onde está a caixa?”
“Está no banheiro, dentro do armário.”
“Vou pegar. Fique aí, quietinho, ok?”
“Não vou me mexer.”

Ela se levantou e foi andando para o banheiro. A calcinha minúscula quase não aparecia. Como ela rebola! Eu já estou preparado, pronto para a guerra!

“Levante o pé para que eu possa limpá-lo, antes de fazer o curativo.”

Levantei o pé e coloquei-o em cima da toalha de Joana. Júlia, lógico, não sabia de quem era a toalha. Com certeza, aquela demonstração de amor de Joana hoje a tarde irá desaparecer quando ela colocar o olho em seu pertence, completamente sujo de sangue.

Estou impressionado com a delicadeza dela. É perfeita, a mulher da minha vida. Não quero deixá-la nunca mais. Vou envelhecer ao seu lado, olhando para esses olhos verdes e dizendo “Te amo” de cinco em cinco minutos.

“Pronto.”
“Tem certeza de que não vai sair ou sangrar?”
“Não tenho, não. Eu estava brincando.”
“Mas e aí?”
“Por precaução, sente-se aí e deixa que eu faço o serviço.”

Começamos no sofá, terminamos na cama. Não vou dar detalhes. Só preciso dizer que foi a coisa mais incrível do mundo. Acho que depois disso, vou passar a acreditar em você, meu Deus, de tanto que eu te chamo!

Capítulo 75 - Lembranças da Primeira Quase Transa

Nunca tive muita sorte com esse lance de levar mulher pra casa. Sempre acontece alguma coisa, como: o chuveiro quebrar na hora de tomar banho com a garota; a menina retirar de suas costas uma roupa completamente imunda que estava em cima da cama; alguém aparecendo para uma visita surpresa; entre outras desventuras.

Ainda me lembro bem da primeira vez que tentei levar uma menina para a minha casa, quando ainda morava no interior com a minha mãe. Ela tinha viajado em excursão com algumas amigas e Joana já morava em Niterói. Eu estava aguardando por isso há bastante tempo e, na mesma hora que a minha mãe saiu de casa, eu, prontamente, liguei para uma menina que estava me dando mole. A garota chegou em alguns minutos, estes intermináveis! Eu era adolescente, o que explicava um pouco da ansiedade.

A recebi com uma cerveja choca (eu não sabia que estava choca, pois não bebia muito!) e um pote de amendoim. Sempre me disseram que amendoim era bom para a ereção e eu sempre achei isso uma idiotice. Nesse dia, claro, eu confirmei a minha suspeita de que, realmente, era uma idiotice.

Depois de abrir algumas outras milhares de cervejas, encontrei uma que não estivesse ruim, para o meu alívio. Peguei mais alguns petiscos e fomos assistir TV na sala.

Coloquei um filme bem picante, com cenas de nudez, mas sem sexo explícito. O filme era horrível, mas serviu para o que eu queria. Em pouco tempo, a garota, começou a levantar a saia e a dizer que estava com calor. Vendo que a coisa toda estava ficando boa, me entupi de amendoim, esperando um efeito mais rápido.

A garota começou a roçar a perna em mim e eu comecei a passar a mão na perna dela. De supetão, ela subiu em mim e começou a me beijar, mesmo cheio de amendoins na boca. Os amendoins voavam da minha boca à medida que ela enfiava ainda mais fundo a sua língua. Ela estava ávida por sexo e eu desesperado, quase sufocando com a porra do amendoim na garganta. Ela não tirava a boca da minha e eu, entupido, não conseguia respirar. Eu já estava ficando roxo e sem forças, quando ela desistiu e deitou no sofá, me chamando para continuar.

Eu cuspi o amendoim no chão e recuperei o ar. Ela ficou olhando para mim, como se nada estivesse acontecendo, me chamando com o dedo indicador e mordendo o canto esquerdo do lábio inferior. Nesse momento ela já estava sem roupas.

Desesperado, como de costume, retirei a minha roupa e fiquei olhando para baixo, esperando uma resposta do bendito, que nem se mexia. Fiquei mexendo nele, olhando para aquela garota sem roupas e nada. Para completar o vexame, minha mãe entrou pela porta dos fundos, sem fazer um barulho sequer, pegou um remédio na despensa, colocou numa colher e foi me procurar. O que ela encontra na sala? Uma mulher nua, um rapaz de quinze anos brocha e um monte de amendoim mastigado grudado em seu tapete. Nunca mais comi amendoim na minha vida.

Depois de alguns meses, voltei a falar com a minha mãe. Ela me disse que fez o ônibus voltar, pois sabia que eu não ia tomar o remédio na hora certa. Eu dei uma bronca nela e pedi para que nunca mais fizesse isso novamente. Sentimental como nenhuma outra, ela começou a chorar e a dizer que eu não a amava mais. Passei mais alguns dias revertendo a situação. Afinal de contas, eu não era tão idiota de ficar brigado com a minha mãe por muito tempo. Ela que pagava as minhas contas!

Esse foi o vexame do século e a garota nunca mais olhou pra mim. Pelo menos ela não contou pra ninguém, pois ela não podia fazer isso. O Pastor da igreja dela não deixava.

Capítulo 74 - Criança Carente

Depois de algumas freadas bruscas e alguns motoristas nervosos me xingando, consegui pegar o jeito do carro. E por sinal, que carro!

O bicho nem sentia meu pé, normalmente pesado, apenas continuava respondendo, como se nada estivesse acontecendo. Atingi, fácil, os duzentos quilômetros por hora na perimetral e um pouco mais na ponte. Na descida do vão central cheguei aos duzentos e cinqüenta, bem longe do limite do carro, que era trezentos e vinte. Fiquei com medo e diminuí. Júlia não parecia incomodada com aquela velocidade toda.

“Você gosta de velocidade, não é?”
“Gosto um pouco, mas não tive muitas oportunidades de dirigir carros possantes. E os que dirigi não chegam nem aos pés desse aqui.”
“Gosto de velocidade também, por isso comprei esse carro.”
“Ele deve ter sido caro.”
“E foi.”

Como uma mulher que trabalha na minha empresa possui um carro desses? Nem se eu trabalhasse a minha vida inteira, ganhando o que eu ganho, teria dinheiro para gastar em um carro desses!
Ela parou e ficou olhando para o lado, com um olhar triste. Parece que o carro a fez lembrar de algo. Estávamos chegando à praça do pedágio.

“Aconteceu alguma coisa?”
“Lembranças, nada mais.”
“Entendo.”
“Mas são águas passadas. Agora encontrei alguém.”
“Eu não sei o que dizer.”
“É passado, mas não interessa mais.”

Ela deve estar se lembrando do antigo namorado. Talvez ele seja muito rico e tenha dado esse carro de presente para ela! Eu ficaria triste também se eu perdesse um namorado rico assim.
Tenho que parecer atencioso. Mulher adora homem atencioso, homem que ouve seus problemas diários ou problemas mais sérios. Esse é um bom momento para atacar!

“Você não quer conversar sobre isso?”
“Acho que não. Não vamos estragar a nossa noite, certo?”
“Certo!”

Se ela não quer conversar sobre isso, quem sou eu para dizer algo. Pelo menos fiz minha parte.

Capítulo 73 - Comentário Indiscreto

“Pra ser sincero, dirigi apenas uma vez.”

Eu tinha que falar a verdade, não podia mentir para a mulher com quem eu vou casar e ter filhos!

“Não é muito difícil, basta colocar na posição D e acelerar.”
“Realmente não parece muito difícil.”

Vamos lá! Posição D e acelerar! O carro é tão silencioso que não percebi que ele já estava ligado.

“Carro bem silencioso.”
“Só o carro. A dona já não é muito silenciosa.”

Sem comentários.

Capítulo 72 - A História do Carro Automático

Certa vez, conheci uma garota numa noitada bem interessante. Saímos algumas e ela estava se apaixonando por mim, o que é ruim. Mulher que se apaixona rápido é sempre perigosa, mas fui levando, até porque ela era bem gostosinha.

Um dia, num sábado, ela me convidou para ir a um casamento de uma amiga. Eu não conhecia ninguém na festa, só Juliana (esse era o nome da garota) e muito mal.

Era uma festa clássica, com ternos e longos desfilando pelo salão ornamentado e bem iluminado. Tinha um bolo maior do que eu e dois bonequinhos representando o casal em situações engraçadinhas (isso está virando moda). No caso deles, a noiva estava em pé, com cara de feliz e, o noivo, com cara de desesperado, todo amarrado, sendo puxado pelos pés pela noiva e com um controle de Playstation nas mãos. Fiquei imaginando os bonecos do meu casamento: o noivo implorando para a noiva não dar um tiro na minha CPU. Muito engraçadinho, mas desesperador!
Fomos para a última mesa, bem no canto e bem longe de todos. Mesmo assim, estávamos muito bem servidos. Eram tantos garçons que, os mesmos, se degladiavam para servir uma mesa. Parecia até garçom de boteco da lapa.

Depois de encher o rabo de comida, começamos a beber cerveja, pois não consigo beber uísque, que era a outra bebida que estavam servindo. Após alguns copos, Juliana começou a me encher o saco para ir para a pista de dança. Não gosto de dançar e já estava tempo suficiente com ela para dizer não para essas coisas. Eu disse e ela ficou puta. Foi sozinha para a pista e eu fiquei sentado, olhando para o povo, me distraindo.

Uma mulher, já coroa, sentou-se à mesa ao lado e começou a olhar para mim. Ela estava muito bem vestida, com pulseiras e colares chamativos e, aparentemente, de ouro. Ou seja, era rica.

Eu fiquei meio sem-graça, até porque ela parecia ter a mesma idade da minha mãe. Tentei desviar dos olhares, mas não conseguia. Ela não parava. Aquilo tudo já estava me irritando, quando ela puxou assunto comigo.

“Oi”, disse ela.
“Olá.”
“Você não conhece ninguém aqui, não é?”
“Como você sabe disso?”
“É só olhar para você.”

Ela tirou uma carteira de cigarros da pequena bolsa e começou a fumar um cigarro comprido e com cheiro enjoativo.

“Você está sozinho?”, perguntou ela.
“Não. Estou com a minha namorada.”

Como achei que ela não ia entender o termo ficante, tive que dizer que ela era minha namorada.

“É aquela ali, de cabelo ruivo?”
“É sim.”
“Ela não parece te dar muita atenção.”
“Eu não quis dançar. Por isso ela está lá sozinha.”
“Ela não está sozinha.”

Juliana estava dançando com um sujeito, provavelmente um amigo antigo. Pelo menos era o que eu esperava.

“Deve ser algum amigo.”
“Imagino que sim.”, disse ela, sorrindo.

O garçom passou com uma bebida desconhecida, pelo menos para mim. Era uma taça fina e comprida e o líquido borbulhava lá dentro. Ela pegou uma taça e perguntou se eu queria uma. Eu tive que aceitar.

“Gostoso isso. O que é?”
“Prosseco.”
“Muito bom.”
“Só não beba muito. Ela pega rápido.”

Dali pra frente, foi só prosseco. A bebida era boa e descia que era uma beleza. Era algo energizante e me deixava alegre, feliz e disposto. Fiquei conversando com aquela mulher e não demorou muito para eu estar no meio da pista de dança.

O garçom ficava triste quando via meu copo vazio e enchia o bendito novamente. Eu já estava louco, dançando com todas as mulheres da festa, sem distinção de cor ou idade. A essa altura, eu não tinha a menor idéia da onde estava Juliana. Pra dizer a verdade, não me interessava muito também. Para completar a festa, entrou a bateria da Viradouro, contagiando todo mundo. Nunca sambei tanto na minha vida.

Depois de algum tempo e algumas paqueradas de algumas senhoras, fiquei cansado e voltei para a minha mesa. A mulher ainda estava lá, fumando.

“Está tudo bem com você?”, perguntou ela.
“Estou ótimo!”, disse, com a língua enrolada.
“Ainda está com energia sobrando?”
“Muita energia!”
“Quer gastar essa energia em outro lugar?”
“Só se for agora.”

Saímos do meio da multidão, a caminho do pátio onde os carros estavam estacionados. Eu estava completamente bêbado, mas tentei fingir que estava bem. Pena que nunca fui muito bom com interpretações.

Chegamos ao carro, após tropeçar em alguns paralelepípedos. Eu fiquei olhando para aquele Honda Fit, vermelho berrante, esperando que ele viesse me atacar. Assisti muito “O Ataque dos tomates assassinos” quando criança e tinha certeza de que aquilo era o chefe deles.

A mulher parou ao lado do carro, na porta do carona, e jogou a chave para mim. Eu permaneci parado, não entendendo muito bem.

“Você dirige.”
“Ok.”

Quando entrei no carro, levei um susto: era câmbio automático. Agora, imagina eu, bêbado, dirigindo um carro automático, sem ter a mínima idéia de como fazer isso? Entrei em pânico.

Acabei caindo na besteira de não contar para ela o meu pequeno segredo e fui, a trancos e barrancos, dirigindo para a saída do clube. No caminho, encontrei Juliana atracada com o maluco que ela estava dançando. Nem liguei muito, pois não gostava muito dela.

Depois de algumas barbeiragens, a mulher, lógico, percebeu que eu não sabia dirigir aquilo e ficou apreensiva, sempre se agarrando ao descanso de braço da porta.

Quando chegamos ao túnel que vai de Botafogo para Copacabana, antes do Rio Sul, um carro freou na minha frente, bruscamente. Procurei a embreagem e pisei no freio. Estávamos em alta velocidade e pisar no freio não era a coisa certa a se fazer naquele momento. Foi então que viramos uma bola de pinball, batendo de um lado ao outro do túnel. Ela não parava de gritar e eu de apertar o freio e o acelerador ao mesmo tempo, piorando ainda mais a situação. Quando paramos, o carro estava destruído e eu morrendo de vontade de vomitar. Saí do carro e descarreguei todo aquele pró-seco, enquanto a mulher me xingava dizendo que o seu marido ia ficar louco. Permaneci sentado, esperando a polícia chegar, além do marido furioso.

A ambulância chegou primeiro, me levando para o hospital. Estava na cara que eu precisava de uma dose de glicose na veia. A mulher eu nunca mais vi. Acho que esqueceram de pegar meu nome, por isso não entrei no processo e no Boletim de Ocorrência. Menos mal, pois prefiro tomar glicose a enfrentar marido corno.

Capítulo 71 - O Preparatório

O caminho para o estacionamento foi rápido. Ela continuou me puxando pelo braço, como se estivesse desesperada com alguma coisa. Não sei se era falta de sexo, mas aquilo não era muito normal. Pelo menos é o que eu acho. Só não entendi o porquê de ser na minha casa. Será que é algum tipo de fetiche que ela gosta? Algo do tipo: “oi, eu não te conheço direito, mas vamos transar na sua casa estranha, pois tenho mais tesão assim?”. Ainda bem que Joana trabalha a noite.

“Você tem certeza que quer ir para minha casa? Podemos ficar em algum lugar por aqui.”
“Tem algum problema com a sua casa?”
“Não! Quer dizer, a minha irmã mora comigo.”
“E ela vai atrapalhar?”
“Ela trabalha a noite. Não vai atrapalhar.”
“Ela trabalha a noite?”
“É. Ela é promoter.”

Eu não podia contar pra ela que minha irmã é puta! Imagina se ela é da igreja ou algo parecido? Se bem que ela nem me conhece e já está indo pra cama comigo, então não pode ser da igreja. Pelo menos, eu acho.

“Promoter?”
“É. Promove festas.”
“Eu sei o que é promoter.”

Mancada! Ela deve estar pensando que eu acho que ela é burra. Não vai nem me deixar entrar no carro!

“Desculpe-me, não foi minha intenção.”

Ela parou, olhou pra mim e passou a mão no meu rosto. Ficou olhando por um tempo e sorriu. Foi se aproximando da minha orelha. Eu quase descarreguei a arma ali mesmo, no meio do estacionamento.

“Não precisa se desculpar, meu lindo!”

Afastou-se e me deu um beijo. Um beijo! O beijo mais gostoso e vitorioso do mundo! Movimentos perfeitos de língua e boca. Estou extasiado, perplexo e feliz. São tantos sentimentos juntos que não sei distinguir exatamente o que eu estou sentindo. Ela pegou os meus braços e colocou envolta de seu corpo, pedindo um amasso. Eu tive que responder a altura.

Levantei sua perna esquerda e a encostei em um dos carros próximos. Estávamos nos roçando como se nunca tivéssemos feito isso antes. Mais um fetiche será realizado: transar sob um carro em um estacionamento! Eu sonho com isso desde que vi o meu primeiro filme com aqueles cinemas abertos, onde você entra com o seu carro e esquece o filme para transar loucamente com a mulher ao seu lado.

Ela está me apertando contra seu corpo, pedindo mais e ao mesmo tempo dizendo “não, por favor! É proibido!”. Essa sensação é imensamente prazerosa. A mulher quer e você quer dar, mas ela sabe que isso é proibido, o que torna a situação ainda melhor.

Eu estou nas nuvens, pulando em colchões de algodão, como uma criança feliz que acabou de ganhar um brinquedo, há tanto tempo desejado.

“Pára! Não podemos fazer isso aqui!”

Eu não acredito que ela parou agora!

“Por que não? Não tem ninguém aqui!”
“Vamos para sua casa.”
“Você não pode me deixar aqui assim! Eu estou em desespero!”
“Eu estou vendo. Mas será melhor na sua casa, pode ter certeza.”

Ela me afastou e endireitou sua roupa. Pegou um espelho na bolsa e retocou o batom, além de tirar uma mancha da bochecha. Eu fiquei ali, parado, com a calça estourando. É a segunda vez que alguém me deixa assim hoje. Não é possível que eu seja tão azarado!

“Vamos! Você dirige meu carro enquanto eu vou fazendo brincadeiras com você.”, disse ela sorrindo.

Ela jogou a chave do carro e eu quase deixei cair. Era uma chave estranha que eu nunca tinha visto antes. Praticamente um quadrado. Ela foi andando na frente e parou ao lado de um carro importado prata, com um símbolo enorme da Mercedes na frente. Era um carro esportivo e muito bonito, bem ao estilo dos carros do James Bond. Ela ficou parada, esperando eu abrir as portas. E quem disse que eu sabia mexer naquilo?

“Aperte o botão.”
“Qual botão?”
“O único que tem aí!”

Pra mim, essa chave tem no mínimo uns trinta e cinco botões, mas um único “pressionável”. O carro fez um barulho e destravou as portas. Ela entrou e ficou me esperando. Eu, claro, fiquei babando mais um pouco a máquina que eu estava prestes a dirigir. Afinal, não é todo dia que um pobre coitado como eu, tem a oportunidade de dirigir um carro desses.

“Coloque a chave aqui.”, disse ela, apontando para o pequeno orifício no painel.

Coloquei a chave devagar, com medo de estragar alguma coisa. Olhei para o câmbio e me assustei ao ver que ele não era manual. Eu só dirigi carro automático uma vez na vida e foi uma experiência traumática!

“Você já dirigiu um carro automático antes?”

Acho que ela percebeu a minha cara de desespero.