Cuidado! O texto abaixo contém alguns palavrões...
É engraçado como as pessoas ficam olhando pra você quando você sai do café. Olhares reprovadores, dizendo algo do tipo “ele está voando!”, te cercam por todos os lados, durante todo o caminho até sua baia. Mas não dessa vez.
Júlia tinha acabado de sair do café e estava sorrindo. Com certeza todos perceberam isso. E quem estava no café, sozinho com ela? Eu! Ou seja, estão todos com inveja, pois estávamos tendo uma conversa agradável e divertida. Pobres mortais.
Voltando do café, voltamos aos e-mails. Já tinha uns cinco do Ricardo, ansioso por saber o que tinha acontecido.
Ricardo: “E aí? Já marcou pra hoje à noite?”.
Gilberto: “Fala ae, seu pastel!”.
David: “Por que a pressa? Vocês estão muito curiosos!”.
É engraçado como homem é fofoqueiro. Acho que, por ser uma sociedade machista, a humanidade estigmatizou a mulher como sendo o ser fofoqueiro, até porque elas não tinham muita coisa pra fazer antigamente. Mas, na verdade, o homem é muito mais curioso que a mulher, principalmente quando se trata de “quem comeu quem” ou “quem está traindo quem”.
Ricardo: “Fala logo, seu viado!”.
Gilberto: “Tô achando que o Ricardo ta querendo subir no muro. Não para de falar em viado um segundo sequer!”.
Ricardo: “Vai se fuder, seu viado de merda!”.
Gilberto: “Eu não disse?”.
David: “Hoje, realmente, está muito difícil conversar com vocês dois.”.
Ricardo: “Voltando ao assunto: marcou ou não com ela?”.
David: “Marcar, assim, diretamente, não. Mas ela me disse que quer me ver na festa.”.
Ricardo: “Vixi! Tem gente que vai comer um cú hoje!”.
Gilberto: “Porra Ricardo, dá pra maneirar um pouco na pornografia? O e-mail tem monitoramento, seu idiota!”.
David: “Ricardo, maneira aí!”.
Ricardo: “Tá bom, foi mal! É que eu fiquei empolgado.”.
David: “Tem uma outra coisa: ela passou a mão no meu rosto e me chamou de fofo.”.
Ricardo: “Puta merda! Com certeza ela quer te dar o cú!”
Gilberto: “Ricardo, dá pra para com essa porra?”.
David: “Pessoal, vou parar agora, pois a feiosa tá vindo falar comigo.”.
Gilberto: “Putz, que diferença... sai de uma Deusa pra falar com o capeta.”.
Ricardo: “Boa sorte pra você! Pensando bem, até que ela dá um caldo. Às vezes fico me imaginando comendo ela de quatro e batendo na cara dela pra ela não virar o rosto pra mim.”.
Gilberto: “Essa foi demais pra mim. Tchau pra vocês, pois eu tenho que trabalhar. Não está dando pra conversar com o Ricardo hoje.”.
David: “Beleza, to indo, mas depois eu volto. Isso se eu sobreviver à filha do curupira.”.
Bom, pelo menos com ela dá pra manter uma conversa normal, bastando, claro, não olhar diretamente para seus olhos. Tenho medo de virar pedra.
