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“Você é muito sortudo. E irresponsável.”
“Nem me fale, Juliano.”
“Como você pôde sair de casa tão tarde? Poderia ter custado o seu emprego!”
“Eu não tive culpa! Quer dizer, tive um pouco de culpa sim. Mas eu não tenho culpa se o meu despertador fica tão próximo da cama.”
“Se eu estivesse no seu lugar, teria acordado pelo menos umas duas horas antes do horário normal para não ter problemas com horário. Afinal de contas, você sabe que o trânsito do Rio de Janeiro é uma m... droga.”
Vou dizer uma coisa que resume toda a personalidade do Juliano: ele é certinho demais. O cara não fala um palavrão sequer! Na verdade, só teve uma vez que ele disse um “Merda”, durante um problema ocorrido em um sistema em produção. Foi uma coisa tão espontânea, tão “sem querer”, que, quando a palavra saiu de sua boca, o garoto ficou roxo e saiu correndo pro banheiro. Dizem que ele ficou escovando os dentes por uma meia hora, tentando se livrar daquele pecado extremo.
“Nem me fale, Juliano.”
“Como você pôde sair de casa tão tarde? Poderia ter custado o seu emprego!”
“Eu não tive culpa! Quer dizer, tive um pouco de culpa sim. Mas eu não tenho culpa se o meu despertador fica tão próximo da cama.”
“Se eu estivesse no seu lugar, teria acordado pelo menos umas duas horas antes do horário normal para não ter problemas com horário. Afinal de contas, você sabe que o trânsito do Rio de Janeiro é uma m... droga.”
Vou dizer uma coisa que resume toda a personalidade do Juliano: ele é certinho demais. O cara não fala um palavrão sequer! Na verdade, só teve uma vez que ele disse um “Merda”, durante um problema ocorrido em um sistema em produção. Foi uma coisa tão espontânea, tão “sem querer”, que, quando a palavra saiu de sua boca, o garoto ficou roxo e saiu correndo pro banheiro. Dizem que ele ficou escovando os dentes por uma meia hora, tentando se livrar daquele pecado extremo.
Juliano foi criado pelo avô, que era militar. Vocês têm idéia de como é viver com um sujeito grita com a planta que quer se virar para esquerda até ela se virar para a direita? Pois é, Juliano tem medo de errar até depois que o velho morreu. Eu já falei pra ele que ele vai ficar igual a minha avó, mas ele não me ouve!
Metódico, como nenhum outro, Juliano não se move sem projetar, estimar e realizar. Até para colocar um novo tapete em sua sala, ele desenha tudo no computador: diagrama quais os móveis serão retirados primeiro, desenha o processo de como retirar os móveis, estender o tapete, e colocar os móveis de volta no lugar. Depois de tudo, ele faz um relatório de lições aprendidas e guarda para aperfeiçoar a próxima mudança.
“Essas coisas acontecem. Vou fazer o quê?”
“Comigo não acontecem.”
“Mas, convenhamos, você é meio maluco, né?”
“Já pedi pra você não me chamar de maluco!”
Vou parar de falar, que é melhor. Adoro o Juliano, mas quando ele fica nervoso, fico até com medo. Ele é filho de milico, então deve ter um monte de armas em casa. Vai que ele entra aqui e sai dando tiro em todo mundo? Tô fora!
“Tá certo. Desculpa!”
“Mas e aí, vai apresentar o projeto quando?”
“Não sei. Dario vai marcar de novo.”
“Espero que você seja precavido na próxima vez.”
“Vou tentar. Nesse momento já mudei meu foco. Só penso nessa festa de hoje. Você vai?”
“Acho que vou aparecer lá.”
“Nem acredito! Juliano Ferreira vai à festa da empresa depois de dois anos sem ir?”
“Eu disse que vou dar uma passada lá. Você sabe que não gosto de participar desse tipo de festividade. O povo perde a linha.”
“É só nisso que estou pensando: perder a linha!”
“Você não tem jeito mesmo!”
“Claro que não! Você deveria tentar às vezes.”
“Vou pensar no seu caso. Vou voltar pra minha baia porque tenho que terminar um diagrama. Até mais!”
“Vai lá. Depois a gente se fala!”
Deixa-me ligar o computador, pois tenho que, ao menos, fingir que estou trabalhando. Dia de festa o povo fica ouriçado, ou seja, a caixa de e-mail vai entupir de besteiras e comentários maldosos. Não tem nada melhor pra passar o tempo.
