Capítulo 3 - O Destino de um Pobre

Por incrível que pareça, o elevador do meu prédio estava funcionando normalmente, o que é quase um milagre. Ele sempre emperra quando mais se precisa e, aí, tenho que descer ou subir os dez lances de degraus da escada de incêndio. Não preciso dizer que chego ao meu destino completamente molhado de suor, o que é bem nojento.

O caminho para o ponto de ônibus foi tranqüilo, sem muitos problemas. A única coisa que, talvez, seja considerada estranha, é a permanência dos porcos na rua a essa hora do dia. Pode parecer estranho, mas alguma entidade misteriosa materializa vários porcos a noite para revirarem os lixos dos outros atrás de comida. No outro dia, de manhã, os bichos já não estão mais lá. São vários e enormes! Eu tenho até medo de ser mordido por um deles (porcos mordem?), por isso, passei do outro lado da rua, bem longe daqueles bichos nojentos.

Voltando: existe coisa mais deprimente do que um ponto de ônibus? Você fica ali, parado, esperando um veículo de transporte coletivo resolver parar e te levar. Fora que a gente fica do lado de um monte de gente desconhecida e feia. Acho que nunca encontrei uma pessoa bonita num ponto de ônibus. Todas elas devem andar de carro ou então de táxi, o que me faz chegar a uma conclusão: ou todas as pessoas bonitas são ricas, o que explica o fato de elas não estarem em um ponto de ônibus e, sim, em táxis e carros importados, ou elas simplesmente não existem (foram criadas como ilusão de ótica por algum cientista que não gostava de olhar para a mulher que tinha). Essas são as únicas explicações que consigo pensar.

Hoje é um recorde. Acho que todas as pessoas ao meu lado passaram por uma linha de produção com defeito. O operador da máquina devia estar com sono ou querendo um aumento, de tanta gente feia. E com certeza eram todas do mesmo lote! Vou detalhar alguns dos espécimes presentes:
  • Uma mulher gorda (quando eu digo gorda é gorda mesmo) com uma mini-saia e uma blusinha agarrada mostrando a barriga (eu juro que eu quase vomitei quando olhei a perna dela... lembrei logo de um bolo de carne moída).
  • Um homem alto, magro e careca, mas pelo jeito ele não queria ser careca. Havia alguns fiapos de cabelo compridos partindo de um lado para o outro na cabeça. Sinceramente, não sei se ele achava que o penteado exótico o deixaria menos careca. Não vou comentar suas roupas.
  • Uma menina, muito magra e branca com uma roupa preta cobrindo todo seu corpo. Não dá pra identificar aonde termina uma e começa outra peça de roupa. Além disso, ela está com um all-star preto (odeio esse tênis!) e possui alguns milhares de piercings no rosto. Tinha um no lábio dava para prender uma corrente de cachorro. Acho que é de uma dessas tribos malucas, meio EMO, sei lá. Só sei que a garota parecia que ia tirar uma gilete da bolsa e se matar a qualquer momento.
  • Uma mulher normal, bem estragadinha, com uma penca de filhos. Tem umas sete crianças ao seu redor e são todos parecidos com ela (olhos esbugalhados e orelhas de abano). Provavelmente a coitada não tinha televisão em casa.
  • Um gordinho com cara de nerd, com cabelo grande e ouvindo música. O som do Ipod dele está bem alto e dá para perceber que ele está ouvindo alguma música japonesa. Deve ser a trilha sonora de algum desenho pervertido.
O gordinho, agora, está tentando extrair algo do nariz. Um dos moleques está puxando a saia da mãe pedindo para ir embora, enquanto um outro está socando a cabeça da irmã na propaganda do ponto. A mãe não está nem vendo, mas a menina já está sangrando.

O magricela está ajeitando o cabelo que ele não tem e a gordinha está puxando a blusa para baixo, tentando esconder a barriga. Infelizmente descobri que ela tem um piercing no umbigo. Sinceramente não consigo entender porque mulher gorda coloca um piercing no umbigo!

Tudo muito clichê, mas é a mais pura verdade. E viva o Fonseca!

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