Capítulo 7 - A Metade do Caminho

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Ele mereceu a resposta. Não ia agüentar aquele gordo com marcas de suor nas axilas tentando me converter. Melhor pra mim, pois além de não continuar a conversa, ele se levantou e ficou em pé, dando lugar para uma garota que tinha acabado de entrar no ônibus. Sorte minha, pois ela era muito lindinha.

Como não sou muito bom com mulheres, esperei uma deixa para puxar assunto. O ar-condicionado estava bem forte e percebi que ela começou a se arrepiar. Eu adoro mulher tendo arrepios, por isso não agüentei. Afinal, o que eu tenho a perder?

“Esse ônibus está sempre frio.”, disse, olhando para ela.
“É mesmo.”
“Você sempre pega esse ônibus?” (frase idiota número um).
“Sempre nesse horário.”
“Então já tenho um motivo para chegar atrasado no trabalho.” (frase idiota número dois)
“Não entendi!”, disse ela, franzindo a testa (ou seja, é burra!).
“Estou brincando, deixa pra lá”.

Ela sorriu pra mim. Os dentes brancos contrastavam com os cabelos negros e brilhantes.

“Meu nome é David.”, disse, estendendo a mão.
“O meu é Marienne.”
“Marienne?!”, indaguei assustado.

Eu juro que tentei segurar, mas não consegui. Por que as pessoas não podem ter nomes normais hoje em dia? É Gyslayne, Francislayne, Marienne, Aldilaine. A variedade de Washington é quase infinita! Os pais dessas crianças deveriam fazer um curso de nomes normais antes de terem filhos. Qual o problema com Ana, Luiza, Beatriz, Pedro? Daqui a pouco estão colocando nome de remédio em pessoas!

“Qual o problema com o meu nome?”, perguntou ela.
“Nada. Não tem nada de errado com o seu nome.”
“Então porque você se assustou quando eu disse o meu nome?”
“É um nome diferente, só isso”.
“Eu não agüento mais todo mundo me sacaneando por causa do meu nome” NÃO AGUENTO MAIS!”

Nesse momento, as pessoas do ônibus pararam o que estavam fazendo e ficaram nos encarando. Para a minha “sorte”, a menina começou a chorar. Não preciso dizer que fiquei sem reação, certo?

“Calma!”, disse, colocando o braço em volta dela.
“Eu não agüento mais, não consigo!”, disse ela, com o rosto quase na minha axila.

Fiquei abraçando a garota por alguns minutos. Estávamos passando por debaixo do trilho do trem na Francisco Bicalho, ou seja, faltava pouco. Não via a hora de chegar logo ao trabalho. Eu já estava sujo com a queda e, agora, estava com a blusa marcada de lágrimas e todo amassado.

Ela se levantou rapidamente e olhou para mim. Ela era muito bonita e muito problemática pelo visto, além de barraqueira.

“Você foi legal comigo num momento muito difícil da minha vida”, disse ela, limpando os olhos com a manga da blusa.
“Que isso, eu não fiz nada.”

Num impulso a mulher se jogou para cima de mim e começou a me beijar como se não fizesse isso há milênios! Era um beijo feroz. Não via a hora de ela rasgar a minha blusa, desabotoar a minha calça e começarmos a transar loucamente dentro daquele ônibus lotado. Além de ser um fetiche muito interessante de se realizar, eu adoraria ver a cara do gordinho que estava ao meu lado. Isso ia ser muito engraçado.
Já estava quase no ápice da loucura e, quando eu coloquei a mão em sua blusa para arrancá-la, a mulher se levantou. Já estavam todos boquiabertos com a situação, inclusive eu. A barraca estava armada, pronta para explodir e a desgraçada simplesmente parou. Como ela pôde fazer isso comigo?

“Eu tenho que ir, meu ponto é o próximo. Me liga.”, disse ela, jogando um cartão em cima de um David em estado de miséria e com o fecho da calça quase estourando.

A mulher sumiu no meio da multidão e o gordo se manteve olhando para mim. Não sei se ele estava olhando para mim ou para a minha calça, mas o que importa? Eu acabei de ter a experiência mais avassaladora da minha vida! Eu sempre sonhei com algo parecido, mas, lógico, com o final e não interrompido no meio. Mas valeu a pena. Posso até ser demitido hoje que não terá problema algum. Vou ser um desempregado feliz e com o telefone do fim da minha abstinência.

Por falar em emprego, já são 09h15min, ou seja, preciso de um milagre, quer dizer, outro milagre para me livrar de um esporro federal. Já aconteceu tanta coisa hoje, que acho que mais um milagre não seria pedir muito, não é?

Um comentário:

Rodrigues, K. disse...

Tive que ler, hauahaua. Hilário demais.

Até.