Capítulo 12 - O Esporro e a Sorte

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“Desculpa, eu não sabia.”
“Você não sabia a hora da reunião também?”

A mãe do sujeito morre e ele está preocupado com o horário da reunião? Só pode ser maluco!

“Como eu já disse...”.
“Não me interessa as suas desculpas. Já estou cansado delas.”
“Mas...”
“Nada de ‘mas’. Quando eu te coloquei nesse trabalho, achei que estivesse fazendo a coisa certa. Pelo visto me enganei.”.
“Que isso Dario, eu trabalho pra caramba!”
“De que adianta trabalhar muito e não produzir nada?”
“Como assim? Eu entreguei a primeira versão do sistema um dia antes da data estimada! Eu fiquei vários dias até tarde da noite para entregar o prometido!”
“Ficou até tarde porque chega atrasado e não trabalha direito!”

Estou ficando com raiva desse babaca. Eu só não xingo a mãe dele porque ela acabou de morrer! A minha vontade é afogar esse imbecil nesse aquário idiota que ele tanto ama. Agora me diz, pra que um aquário de mil litros pra colocar um peixe? Um mísero peixe! O coitado não deve nem conhecer o outro lado do aquário!

O sujeito está meio abatido. Provavelmente por causa da morte da mãe. Se bem que o cara é tão frio que é bem capaz de ter gostado da velha ter morrido, pois já me disseram que ela tinha um seguro de vida que daria para alimentar uma família de dez pessoas por vinte anos!

“Infelizmente, você tem muita sorte, David. Se o presidente da empresa cliente estivesse aqui e você não, você não precisaria aparecer na sua baia para o resto da sua vida.”
“Estou numa maré boa.”
“Conseguiu terminar a apresentação, pelo menos?”
“Sim, consegui.”

Estou com medo dele. Está falando numa voz arrastada e nem levantou a voz pra mim ainda! Tudo muito estranho.

“Aqui, o pendrive.”, disse, entregando para ele.
“Não está funcionando.”
“Como não?”
“Não está reconhecendo.”
“Não é possível! Deixa-me ver.”
“Além de chegar atrasado, traz um pendrive fodido?”
“Mas eu testei antes de sair de casa!”

Uma das piores coisas que existem é um olhar de reprovação seguido de um tsc tsc tsc. E foi exatamente o que ele fez, segundos antes do telefone tocar. Ele pegou o fone e começou a dizer palavras pequenas, em uma conversa monossilábica. Tirou o telefone da orelha, colocou no gancho e olhou pra mim.

“Acho melhor você jogar na mega-sena hoje.”
“Por quê?”
“Eles desmarcaram a reunião.”

Era tudo que eu precisava ouvir.

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