Capítulo 22 - A Feiúra do Mundo

Felizmente, minha mãe me fez muito bem e não nasci feio. Não que eu seja um Tom Cruise, mas dou pro gasto. Agora, o que posso dizer sobre a feiúra? Acho que a única coisa concreta sobre o assunto é que ela realmente existe e é a maioria.

Existem pessoas feias por todos os lugares do mundo. Em qualquer lugar que você vá, seja num boteco, seja num hotel sete estrelas, haverá alguém que você achará feio. Não há escapatória!

Tudo bem que isso é uma convenção da sociedade, que cultua o corpo perfeito e ignora os mais estragados. Mas, fazer o quê? Nós vivemos nessa sociedade e temos que conviver com isso.

No Rio de Janeiro, essa cultura é muito mais forte. Acho que devido às praias, as pessoas ficam mais peladas, o que faz com que elas malhem bastante para não passar vergonha. Deveríamos ter uma estátua de um deus grego em cada esquina, para poder estimular as pessoas a malhar, serem magros ou fortes e felizes.

Está certo que uma barriga de tanquinho e um braço do tamanho de um pernil te ajudarão a pegar algumas mulheres gostosas, mas um nariz de batata e a cara cheia de buracos de espinhas da época que você não pegava ninguém, também te prejudicarão com as mais exigentes. Eu, sinceramente, acho malhar um saco. Pra que ficar se matando na academia, fazendo cara feia pras pessoas e ficar se encostando aos aparelhos suados, se eu posso ir para um bar com os amigos, beber cerveja gelada, ficar sorrindo para todo mundo e olhando a mulherada passar? Pra mim, não faz nenhum sentido.

Acredito que a maior concentração de gente feia do Rio de Janeiro está nos transportes públicos. Se alguém resolver jogar uma bomba atômica na Central do Brasil às sete horas da manhã numa segunda-feira, metade das pessoas feias e estranhas do mundo seria morta. Na barca acontece o mesmo. E quanto mais cedo, pior!

De qualquer jeito, isso só acontece porque existem pessoas. Porque, se não existissem, a menos feia de hoje seria a mais bonita de amanhã e assim por diante. Ou seja, elas sempre existirão!
Agora, uma pergunta vem a minha cabeça: será que a Ana Cláudia anda de trem?
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Esqueci de comentar, mas, durante toda a conversa com Ana Cláudia, permaneci olhando para o monitor, sem desviar meu olhar um segundo sequer. Não estava me sentindo bem e fiquei com medo de vomitar, ainda mais no dia da festa.

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