Capítulo 29 - A História das Mancadas

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COMENTÁRIO!!!

Só pra constar, roubaram o meu pendrive na PUC, o que é um absurdo, já que os infelizes não tem mais onde enfiar dinheiro.

Por causa desse pequeno problema, tive que correr para registrar o livro na biblioteca nacional. Se o infeliz que roubou o meu pendrive estiver lendo essa frase, que você queime no mármore do inferno!!!

Tenho dito!

Bom, tirando esse problema, segue um capítulo novo para desgustação.

Abraços a todos!

Eduardo

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As mancadas em e-mails tornaram-se comuns no dia-a-dia de uma empresa. Com certeza, em qualquer empresa que você trabalhar, haverá pelo menos duas pessoas com nomes parecidos e, provavelmente, você mandará a mensagem para a pessoa errada. É a lei de Murphy agindo no universo!

Em outros casos, os problemas causados são ainda maiores. Certa vez, um garoto do suporte técnico estava trocando mensagens com um amigo quando uma outra mensagem chegou a sua caixa, no momento em que ele pressionou a opção de responder. O garoto, sem perceber, enviou o e-mail para um grupo interno, criado para envio de mensagens para todos os membros da empresa, inclusive o presidente. A mensagem era a seguinte:

“Ae, tô coçando o saco o dia inteiro. Vamos lá embaixo fumar um cigarro para matar o tempo?”

O rapaz ficou tão transtornado e desesperado quando viu o que fez que, quando entrou na sala do chefe para explicar, o presidente já tinha lido o e-mail e ligado pedindo explicações sobre o ocorrido. Não preciso dizer que o garoto foi mandado embora.

Eu mesmo já fiz besteira aqui dentro e quase perdi meu emprego. Existia um cara que trabalhou comigo, em um outro projeto, que possuía um nome muito parecido com o de um gerente da empresa. Eu tinha intimidade com o cara, por isso não vi problemas em sacaneá-lo quando recebi um e-mail assim:

De: Carlos Fernando Gomes
Para: David
Assunto: Liberação de acesso

Prezado,

Solicito acesso ao sistema de avaliação de desempenho para o login cagomes.
Obrigado,

Carlos Gomes


O meu amigo também se chamava Carlos Gomes e, quando li, não entendi o porquê da solicitação, já que ele já possuía o acesso ao sistema. Então, muito engraçadinho, respondi com o seguinte e-mail:

De: David
Para: Carlos Fernando Gomes
Assunto: Res: Liberação de acesso

Uhauhauhauahuahauh
Que porra de login é esse? Cagomes?
Que viadinho!!

Mas afinal, pra que você quer acesso?

Valeu!

David

Quando percebi o “Fernando” entrei em pânico. Fiquei branco e não conseguia emitir um som sequer. Ana Cláudia chegou perto de mim e levou um susto. Ela perguntava o que era, mas eu não conseguia falar. Trinta segundos depois, ouvi a voz de Dario me chamando, aos berros, solicitando a minha presença em sua sala.

“Você é maluco ou come merda?”, gritou Dario.
“Eu... eu... não vi o nome!”
“O cara me ligou agora me pedindo explicações!”
“Foi sem querer! Eu não vi o sobrenome! E eu pensei que o login de sistema do Carlos fosse diferente do da rede!”
“E agora? O que eu faço com você? O cara é gerente comercial da empresa e quer a sua cabeça!”
“Ele quer me demitir por causa de uma brincadeira?”
“Ele odeia esse login. Simplesmente odeia!”
“Então peça para trocar o login dele!”

Ele ficou parado por um tempo, com a mão no queixo, como se estivesse com dificuldade de raciocinar o que eu tinha acabado de dizer. Juro que senti um cheiro estranho na sala nesse momento.

“Pode ser que funcione.”
“Então, é só você fazer isso e tudo fica tranqüilo.”
“Não, você faz isso. Você vai ao setor de administração de redes pedir para trocarem o login dele para ‘cgomes’. E tem que ser hoje!”
“Eu? Mas aqueles caras só atendem com rapidez os gerentes e diretores! A última vez que solicitei algo levou três semanas para eu ser atendido! E esse login já está sendo utilizado!”
“Você gosta do seu emprego?”
“Gosto sim, mas isso é...”.
“Você tem até o final da tarde.”
“Mas...”
“Você está aqui ainda?”

Era uma tarefa impossível. Eu tinha que convencer o Carlos, meu amigo, a ceder o login dele para o Carlos, meu não amigo, e ainda conseguir que o pessoal de redes me atendesse ainda naquele dia. Tive que apelar e pedir ajuda para o Rodrigo que, apesar de maluco, tinha uma boa influência no setor.

Eu fui convencer o meu amigo, enquanto o Rodrigo foi convencer o gerente de redes. A minha parte foi mais complicada que a dele, mas ambos conseguimos completar nossas missões antes das dezessete horas.

Missão cumprida, todos ficaram satisfeitos, menos o Carlos, meu amigo, que ficou com um login esquisito (cajose, parece nome de fruta do nordeste) e eu, que fiquei devendo um favor para o Rodrigo. Ele ainda me cobra esse favor até hoje, mas mal sabe ele que já paguei todos os meus pecados com suas burrices.

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