Minha experiência com religião não foi muito boa.
O primeiro contato que eu tive foi no meu batismo. Eu ainda tento entender porque minha mãe quis me batizar e me dar padrinhos e madrinhas se ela nem mesmo é católica. Acho que foi por pressão da minha avó, católica fervorosa e que tinha até o apelido de Dona Santa. Hoje em dia, a coitada nem lembra mais o seu nome e fica gritando um monte de palavrões para a enfermeira que cuida dela. O alemão chegou e a velha ficou biruta. Eu ainda acho que ela, de tanto guardar os xingamentos que teve vontade de dizer durante toda a sua longa vida, não agüentou e passou a fingir uma doença, só para poder xingar até não agüentar mais. As pessoas não aceitam muito a minha teoria, então achei melhor não tocar mais no assunto.
A minha experiência seguinte, após o batismo, foi com o Kardecismo. Uns dizem ser religião, outros dizem ser uma seita e a maioria diz ser coisa de macumbeiro. Fui alvo de chacota algumas vez por causa disso, então resolvi desistir ainda com nove anos. Eu achava até legal, mas as pessoas são muito calminhas e todas as respostas de todas as perguntas terminavam com a palavra DEUS. Dava-me até nervoso perguntar algo para as instrutoras, que davam as aulas pra gente.
“Tia, o que é reencarnação?”, perguntei para a professora.
“É quando a gente volta do mundo espiritual para a Terra, em um outro corpo, para corrigir os erros e falhas de nossa vida anterior, meu filho. É uma oportunidade que Deus nos dá.”, disse ela, numa voz calma que parecia ter tomado uma caixa de Lexotan.
“Mas Tia, todos nós somos reencarnados?”
“Sim meu filho. Tudo isso é obra de Deus! Por isso temos que fazer o nosso melhor aqui na Terra! Assim, nos tornamos espíritos mais elevados.”, disse ela, se virando para o outro lado da sala.
“Mas tia, se todos nós reencarnamos, como pode a população mundial crescer em ritmo acelerado?”
“David, meu filho, isso é obra de Deus. Não podemos questionar a obra de Deus”, disse ela, com uma cara não muito boa.
“Isso não faz muito sentido, não é?”, perguntei, na maior inocência.
“David, vai tomar um café vai?”, disse ela, irritada.
Depois desse episódio, a professora chamou a minha mãe e disse que eu não poderia continuar a ir às aulas, pois eu questionava a obra de Deus. A minha mãe quase morreu, mas concordou que não tinha jeito. Eu era muito racional, então iria continuar a questionar tudo ali, que era o que a professora não queria.
Sem alternativa e com a família toda olhando para mim como se eu fosse um ET, minha mãe entregou minha vida religiosa nas mãos da minha avó, que me mandou para o catecismo.
Na primeira aula, já me estranhei com a professora. Na segunda, eu já estava fazendo um desenho dela abraçada com o bicho ruim. Na terceira aula já estava perguntando algumas coisas para ela. Essa foi a minha última aula.
“Deus criou Adão. Ele era feliz no paraíso, só que solitário. Então Deus criou Eva da costela de Adão...”
“Como se cria uma pessoa de uma costela?”, perguntei a ela.
“Deus tem poderes inimagináveis”
“Mas porque uma costela?”
“Eu não sei David. Posso terminar a história?”
“Sim, pode”
“Os dois eram felizes no paraíso até que a cobra tentou Eva a comer uma maçã da árvore proibida... o que foi David?”
“Como assim “a cobra tentou Eva”?”
“Ela disse para Eva comer a maçã”
“Desde quando cobras falam?”
“Essa cobra falava”, disse ela, já sem paciência.
“Ok”
“Posso continuar?”, perguntou ela, franzindo a testa.
“Sim, pode”
“Eva então comeu a maçã e Deus amaldiçoou os dois... fala David, o que você quer agora?”
“Isso quer dizer que não podemos comer maçãs?”
“Não, não quer dizer isso.”
“A minha mãe me faz comer maçãs todos os dias e meu pai me faz conversar com a cobra dele! Eu estou amaldiçoada!”, gritou uma menina mais ao fundo.
“Cristina não fale isso!”, gritou a professora.
“Eu acho que você vai morrer”, disse um outro garoto para Cristina.
“João Pedro, pare de implicar com a Cristina... o que você quer David?”
“Depois da maçã eles transaram?”
“É O QUE?!”
Esse foi o meu último dia no catecismo. Minha avó disse para minha mãe que eu não tinha jeito e que eu ia virar um desgarrado se não arranjasse uma religião, seja lá o que isso quer dizer.
Minha mãe chorava quase todos os dias e por isso resolvi fazer uma boa ação: comecei a freqüentar as aulas de religião presbiteriana na escola. Ela ficou feliz e eu fiquei com as balinhas que a professora dava pra gente só por comparecer. Esse era o único motivo de eu continuar a assistir às aulas daquela mulher fanática.
Depois que entrei na faculdade, desisti de vez de qualquer religião. Comecei a me proclamar ateu, menos para minha mãe. Ela ainda me pede para rezar antes de dormir, mas não dá. Ficar falando pro nada me faz parecer um maluco. Sensação esquisita.
Agora se tem uma coisa que eu não suporto, é esse monte de pessoas bitoladas e fanáticas que tentam te converter, pois o caminho delas é o certo e você certamente cairá num buraco sem fundo se não segui-lo. Isso não dá para aturar.
Infelizmente, o gordo que estava do meu lado no ônibus era uma dessas pessoas.
O primeiro contato que eu tive foi no meu batismo. Eu ainda tento entender porque minha mãe quis me batizar e me dar padrinhos e madrinhas se ela nem mesmo é católica. Acho que foi por pressão da minha avó, católica fervorosa e que tinha até o apelido de Dona Santa. Hoje em dia, a coitada nem lembra mais o seu nome e fica gritando um monte de palavrões para a enfermeira que cuida dela. O alemão chegou e a velha ficou biruta. Eu ainda acho que ela, de tanto guardar os xingamentos que teve vontade de dizer durante toda a sua longa vida, não agüentou e passou a fingir uma doença, só para poder xingar até não agüentar mais. As pessoas não aceitam muito a minha teoria, então achei melhor não tocar mais no assunto.
A minha experiência seguinte, após o batismo, foi com o Kardecismo. Uns dizem ser religião, outros dizem ser uma seita e a maioria diz ser coisa de macumbeiro. Fui alvo de chacota algumas vez por causa disso, então resolvi desistir ainda com nove anos. Eu achava até legal, mas as pessoas são muito calminhas e todas as respostas de todas as perguntas terminavam com a palavra DEUS. Dava-me até nervoso perguntar algo para as instrutoras, que davam as aulas pra gente.
“Tia, o que é reencarnação?”, perguntei para a professora.
“É quando a gente volta do mundo espiritual para a Terra, em um outro corpo, para corrigir os erros e falhas de nossa vida anterior, meu filho. É uma oportunidade que Deus nos dá.”, disse ela, numa voz calma que parecia ter tomado uma caixa de Lexotan.
“Mas Tia, todos nós somos reencarnados?”
“Sim meu filho. Tudo isso é obra de Deus! Por isso temos que fazer o nosso melhor aqui na Terra! Assim, nos tornamos espíritos mais elevados.”, disse ela, se virando para o outro lado da sala.
“Mas tia, se todos nós reencarnamos, como pode a população mundial crescer em ritmo acelerado?”
“David, meu filho, isso é obra de Deus. Não podemos questionar a obra de Deus”, disse ela, com uma cara não muito boa.
“Isso não faz muito sentido, não é?”, perguntei, na maior inocência.
“David, vai tomar um café vai?”, disse ela, irritada.
Depois desse episódio, a professora chamou a minha mãe e disse que eu não poderia continuar a ir às aulas, pois eu questionava a obra de Deus. A minha mãe quase morreu, mas concordou que não tinha jeito. Eu era muito racional, então iria continuar a questionar tudo ali, que era o que a professora não queria.
Sem alternativa e com a família toda olhando para mim como se eu fosse um ET, minha mãe entregou minha vida religiosa nas mãos da minha avó, que me mandou para o catecismo.
Na primeira aula, já me estranhei com a professora. Na segunda, eu já estava fazendo um desenho dela abraçada com o bicho ruim. Na terceira aula já estava perguntando algumas coisas para ela. Essa foi a minha última aula.
“Deus criou Adão. Ele era feliz no paraíso, só que solitário. Então Deus criou Eva da costela de Adão...”
“Como se cria uma pessoa de uma costela?”, perguntei a ela.
“Deus tem poderes inimagináveis”
“Mas porque uma costela?”
“Eu não sei David. Posso terminar a história?”
“Sim, pode”
“Os dois eram felizes no paraíso até que a cobra tentou Eva a comer uma maçã da árvore proibida... o que foi David?”
“Como assim “a cobra tentou Eva”?”
“Ela disse para Eva comer a maçã”
“Desde quando cobras falam?”
“Essa cobra falava”, disse ela, já sem paciência.
“Ok”
“Posso continuar?”, perguntou ela, franzindo a testa.
“Sim, pode”
“Eva então comeu a maçã e Deus amaldiçoou os dois... fala David, o que você quer agora?”
“Isso quer dizer que não podemos comer maçãs?”
“Não, não quer dizer isso.”
“A minha mãe me faz comer maçãs todos os dias e meu pai me faz conversar com a cobra dele! Eu estou amaldiçoada!”, gritou uma menina mais ao fundo.
“Cristina não fale isso!”, gritou a professora.
“Eu acho que você vai morrer”, disse um outro garoto para Cristina.
“João Pedro, pare de implicar com a Cristina... o que você quer David?”
“Depois da maçã eles transaram?”
“É O QUE?!”
Esse foi o meu último dia no catecismo. Minha avó disse para minha mãe que eu não tinha jeito e que eu ia virar um desgarrado se não arranjasse uma religião, seja lá o que isso quer dizer.
Minha mãe chorava quase todos os dias e por isso resolvi fazer uma boa ação: comecei a freqüentar as aulas de religião presbiteriana na escola. Ela ficou feliz e eu fiquei com as balinhas que a professora dava pra gente só por comparecer. Esse era o único motivo de eu continuar a assistir às aulas daquela mulher fanática.
Depois que entrei na faculdade, desisti de vez de qualquer religião. Comecei a me proclamar ateu, menos para minha mãe. Ela ainda me pede para rezar antes de dormir, mas não dá. Ficar falando pro nada me faz parecer um maluco. Sensação esquisita.
Agora se tem uma coisa que eu não suporto, é esse monte de pessoas bitoladas e fanáticas que tentam te converter, pois o caminho delas é o certo e você certamente cairá num buraco sem fundo se não segui-lo. Isso não dá para aturar.
Infelizmente, o gordo que estava do meu lado no ônibus era uma dessas pessoas.

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