Dúvida cruel de pobre: vou de ônibus ou a pé? Não tenho muito tempo pra pensar. O restaurante é perto, mas provavelmente vou suar no caminho se for a pé. Imagina pegar a mulher da minha vida fedendo a suor? Já estou suando de nervoso, se for andando então, vou chegar com marcas de pizza nas axilas! Acho que vou de táxi, pois assim me mantenho refrescado no ar-condicionado de um Santana qualquer.
“Táxi!”
Pra variar, realmente é um Santana. Acho que noventa e oito por cento dos táxis do Rio de Janeiro são Santana. Eles devem continuar fabricando esse carro só para os taxistas. Aliás, eles devem sair da fábrica já pintados e com taxímetro rodando!
“Sabe aonde é o Curral do Chope?”
“Curral do quê?”
Taxista que não conhece bar na Lapa é novato. Deve ter sido importado do nordeste, com promessas de uma vida melhor e muito dinheiro no bolso. Coitados, foram todos enganados, pois não existe povo mais explorado do que os taxistas. Até relevo o fato de eles roubarem de vez em quando numa corrida. Com os outros, claro, não comigo!
“Curral do Chope, ali na Lapa.”
“Vixi! Onde fica isso?”
“Passa os Arcos que eu te mostro.”
“Arcos da Lapa?”
“De onde mais seriam?”
“Sei lá! Não conheço essa cidade direito ainda.”
“Eu já percebi. Vai logo, que eu estou atrasado!”
“Pode deixar patrão! Mas eu vou por onde?”
Era só o que me faltava. O coitado deve estar começando hoje!
“Você está na Rio Branco e não sabe chegar na Lapa?”
“É que eu comecei hoje. Meu primo, Edisberto, me arrumou esse emprego.”
“Beleza. É só ir reto até o final dessa rua. Chegando lá, mantenha-se a direita, ok?”
“Ok! Vambora patrão!”
O cara deu uma arrancada e morreu com o carro. Quase bati com a cabeça no banco da frente. Era tudo que eu precisava agora: um motorista que não sabe dirigir e que não tem a mínima idéia da onde está.
“Desculpa patrão! Agora nós vamos!”
Espero que eu não morra antes de chegar à festa.
Here and Back Again...
Há 14 anos

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