Numa empresa sempre temos o que chamamos de “panelas”. As panelas são grupos formados por pessoas que, normalmente, possuem alguma afinidade ou interesse comum. Por uma lei universal, uma mistura de “panelas” nunca é bem vista e um desgarro de um componente é considerado como heresia, por isso os grupos são sempre muito bem definidos, limitando a conversa entre indivíduos de “panelas” diferentes a alguns “oi” e outros “bom dia”.
Na empresa em que trabalho também existem esses grupos. São eles:
· Os nerds (não podiam deixar de existir em uma empresa de informática. São chatos e geralmente feios. Só sabem conversar sobre desenhos japoneses e atualização de softwares e hardwares).
· Os malucos (são drogados, limitados a maconha. São tranqüilos, calmos e burros. Normalmente são do suporte operacional. Algumas recepcionistas participam desse grupo quando querem entrar na “onda” de graça).
· Os chefes (sempre andam juntos, comem juntos, cagam juntos... devem transar juntos também, no meio de um monte de dinheiro, tipo Tio Patinhas).
· Os puxa-sacos (sempre andam juntos com os seus respectivos chefes. São arredios e não gostam muito de conversar entre si, a não ser quando um inventa uma técnica nova para bajular o chefe. Tem muita competição nesse grupo).
· As feias (mulher feia sempre anda em grupo. Acho que é pra dar suporte uma a outra, quando um sujeito dá um fora em uma delas.)
· As bonitas (mulher bonita também anda em grupo e eu apoio perfeitamente essa iniciativa. É muito bom olhar um grupo de mulheres bonitas. Faz bem aos olhos. De vez em quando, uma mulher bonita entra no grupo das feias só para se sentir mais bonita e permitir que as feias falem bem dela. Serve para aumentar a auto-estima, só isso).
· Os peixes-burros (esse é um grupo duplo. Servem tanto para peixes quanto para os burros. Os componentes existem apenas para atrapalhar ou para encher o saco. O Rodrigo é o chefe deles).
· O meu grupo (Eu, Gilberto, Ricardo, Roberto e Juliano. Somos os cara mais bonitos e os mais legais desse lugar. Pelo menos é o que nós achamos).
Nas festas da empresa, esses grupos são claramente identificados, cada um nos seus cantos, claro.
“Porra, você demorou pra caralho!”, gritou Gilberto, me abraçando.
Já estavam todos “alegres”, como de costume. Afinal, já tem uma hora de bebida liberada, o que é suficiente pra deixar muita gente torta.
“Se eu contar, vocês não vão acreditar no que aconteceu.”
“Então não conta e toma uma cerveja!”, disse Ricardo, me entregando uma caneca congelada de cerveja.
“Cara, a mulherada tá sinistra!”, comentou Gilberto.
“Parece que chegou uma fornada nova no telemarketing que a gente não tinha visto ainda. Olha aquela morena ali!”, apontou Ricardo.
Era uma morena de pelo menos um metro e setenta. Estava num vestido branco e rodado que realçava seu corpo perfeito. Os olhos verdes cintilavam na escuridão da pista de dança. Mas, em um relance de luz, algumas espinhas em seu rosto apareceram.
“Ela tem espinhas!”, comentei.
“Eu não quero comer a cara dela, porra!”, gritou Ricardo.
Todos começaram a rir, inclusive Juliano, que apareceu à surdina.
“Onde você estava?”, perguntei.
“Estava pegando uma bebida.”, disse ele, meio nervoso.
“E o seu copo estava com batom?!”, perguntou Gilberto, apontando para a boca de Juliano, toda manchada de batom.
“Eu não acredito! O Viadinho já tá de amasso com alguém e ninguém viu?”, disse Ricardo, espantado.
“Cadê a pretendente?”, Gilberto perguntou.
“Não adianta que não vou dizer!”
“Sabemos que ela está na festa.”, disse.
“Claro que ela está na festa! Como você acha que esse batom apareceu na minha cara?”
“O viadinho já está pegando alguém e eu não? Em que mundo nós vivemos?”, indagou Ricardo.
“Nós conhecemos?”, perguntou Gilberto.
“Não.”
“Não conhecemos?”
“Não.”
“É de qual setor?”
“Não vou dizer!”
“Deixa de ser viadinho e fala logo!”, gritou Ricardo.
“Não! Vocês vão ficar me sacaneando na frente dela.”
“Beleza. Vocês estão se agarrando aqui dentro. Uma hora descobrimos quem é.”, disse.
“Vamos ver!”, disse Juliano, sorrindo.
“Cadê o Roberto?”, perguntei.
“Tá no banheiro, falando ao telefone já tem uma meia hora.”, respondeu Juliano.
“Ele está bem?”, perguntei.
“Não parecia muito bem.”, comentou Gilberto.
“Vou dar um pulo lá pra saber se está tudo legal com ele.”, disse.
“Deixa de ser viado e olha ali o que está te esperando!”, disse Ricardo, virando minha cabeça na direção de Júlia.
Ela está dançando no meio do salão, descendo até o chão ao som de um funk bem pesado. Todos abriram espaço para que ela dançasse sozinha, em destaque. O vestido arrasta no solo, à medida que ela balança seu quadril maravilhoso. O dedo na boca e a mão no cabelo completam o visual estonteante. Eu não sei se vou agüentar por muito tempo.
“Realmente eu preciso ir ao banheiro.”
Todos começaram a gargalhar ao mesmo tempo, inclusive Juliano. Preciso descarregar as minhas emoções repentinas e aproveito para ver se Roberto está bem. Provavelmente ele já tem o resultado do exame da garota e deve estar precisando de apoio. Afinal, pra que servem os amigos se não para sacanear o outro em horas impróprias?
Na empresa em que trabalho também existem esses grupos. São eles:
· Os nerds (não podiam deixar de existir em uma empresa de informática. São chatos e geralmente feios. Só sabem conversar sobre desenhos japoneses e atualização de softwares e hardwares).
· Os malucos (são drogados, limitados a maconha. São tranqüilos, calmos e burros. Normalmente são do suporte operacional. Algumas recepcionistas participam desse grupo quando querem entrar na “onda” de graça).
· Os chefes (sempre andam juntos, comem juntos, cagam juntos... devem transar juntos também, no meio de um monte de dinheiro, tipo Tio Patinhas).
· Os puxa-sacos (sempre andam juntos com os seus respectivos chefes. São arredios e não gostam muito de conversar entre si, a não ser quando um inventa uma técnica nova para bajular o chefe. Tem muita competição nesse grupo).
· As feias (mulher feia sempre anda em grupo. Acho que é pra dar suporte uma a outra, quando um sujeito dá um fora em uma delas.)
· As bonitas (mulher bonita também anda em grupo e eu apoio perfeitamente essa iniciativa. É muito bom olhar um grupo de mulheres bonitas. Faz bem aos olhos. De vez em quando, uma mulher bonita entra no grupo das feias só para se sentir mais bonita e permitir que as feias falem bem dela. Serve para aumentar a auto-estima, só isso).
· Os peixes-burros (esse é um grupo duplo. Servem tanto para peixes quanto para os burros. Os componentes existem apenas para atrapalhar ou para encher o saco. O Rodrigo é o chefe deles).
· O meu grupo (Eu, Gilberto, Ricardo, Roberto e Juliano. Somos os cara mais bonitos e os mais legais desse lugar. Pelo menos é o que nós achamos).
Nas festas da empresa, esses grupos são claramente identificados, cada um nos seus cantos, claro.
“Porra, você demorou pra caralho!”, gritou Gilberto, me abraçando.
Já estavam todos “alegres”, como de costume. Afinal, já tem uma hora de bebida liberada, o que é suficiente pra deixar muita gente torta.
“Se eu contar, vocês não vão acreditar no que aconteceu.”
“Então não conta e toma uma cerveja!”, disse Ricardo, me entregando uma caneca congelada de cerveja.
“Cara, a mulherada tá sinistra!”, comentou Gilberto.
“Parece que chegou uma fornada nova no telemarketing que a gente não tinha visto ainda. Olha aquela morena ali!”, apontou Ricardo.
Era uma morena de pelo menos um metro e setenta. Estava num vestido branco e rodado que realçava seu corpo perfeito. Os olhos verdes cintilavam na escuridão da pista de dança. Mas, em um relance de luz, algumas espinhas em seu rosto apareceram.
“Ela tem espinhas!”, comentei.
“Eu não quero comer a cara dela, porra!”, gritou Ricardo.
Todos começaram a rir, inclusive Juliano, que apareceu à surdina.
“Onde você estava?”, perguntei.
“Estava pegando uma bebida.”, disse ele, meio nervoso.
“E o seu copo estava com batom?!”, perguntou Gilberto, apontando para a boca de Juliano, toda manchada de batom.
“Eu não acredito! O Viadinho já tá de amasso com alguém e ninguém viu?”, disse Ricardo, espantado.
“Cadê a pretendente?”, Gilberto perguntou.
“Não adianta que não vou dizer!”
“Sabemos que ela está na festa.”, disse.
“Claro que ela está na festa! Como você acha que esse batom apareceu na minha cara?”
“O viadinho já está pegando alguém e eu não? Em que mundo nós vivemos?”, indagou Ricardo.
“Nós conhecemos?”, perguntou Gilberto.
“Não.”
“Não conhecemos?”
“Não.”
“É de qual setor?”
“Não vou dizer!”
“Deixa de ser viadinho e fala logo!”, gritou Ricardo.
“Não! Vocês vão ficar me sacaneando na frente dela.”
“Beleza. Vocês estão se agarrando aqui dentro. Uma hora descobrimos quem é.”, disse.
“Vamos ver!”, disse Juliano, sorrindo.
“Cadê o Roberto?”, perguntei.
“Tá no banheiro, falando ao telefone já tem uma meia hora.”, respondeu Juliano.
“Ele está bem?”, perguntei.
“Não parecia muito bem.”, comentou Gilberto.
“Vou dar um pulo lá pra saber se está tudo legal com ele.”, disse.
“Deixa de ser viado e olha ali o que está te esperando!”, disse Ricardo, virando minha cabeça na direção de Júlia.
Ela está dançando no meio do salão, descendo até o chão ao som de um funk bem pesado. Todos abriram espaço para que ela dançasse sozinha, em destaque. O vestido arrasta no solo, à medida que ela balança seu quadril maravilhoso. O dedo na boca e a mão no cabelo completam o visual estonteante. Eu não sei se vou agüentar por muito tempo.
“Realmente eu preciso ir ao banheiro.”
Todos começaram a gargalhar ao mesmo tempo, inclusive Juliano. Preciso descarregar as minhas emoções repentinas e aproveito para ver se Roberto está bem. Provavelmente ele já tem o resultado do exame da garota e deve estar precisando de apoio. Afinal, pra que servem os amigos se não para sacanear o outro em horas impróprias?

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