Além disso, existe um outro problema: eles pagam, mesmo que indiretamente, o seu salário, por isso, qualquer coisa que você fale de errado, pode ser problemático para o projeto, causando, assim, a sua demissão. Por isso, em uma reunião, nunca, mas nunca mesmo, deixe alguém que não saiba nada sobre o projeto falar sobre o bendito. Isso pode ser fatal.
Hoje, as tarefas serão árduas. Primeiro, eu tenho que convencê-los de que o que o Rodrigo ofereceu é impossível, legalmente, de se desenvolver. Segundo, preciso convencê-los de permanecer numa reunião, pelo menos por meia hora, olhando para o filho do bicho ruim (leia-se Ana Cláudia). Acho que a segunda tarefa é mais complicada do que a primeira.
Pelo jeito, a intimidação será a melhor maneira de reverter o quadro. Vou colocar a Ana na frente, como se fosse um escudo, e ficar gritando atrás. Ainda vou pedir a ela que abra a boca e sorria algumas vezes, só para aumentar o pavor. Duvido que eles não aceitem tudo o que eu falar. O medo é uma das armas mais poderosas contra o ser humano. Basta saber causá-lo.
“Olá! Em que posso ajudá-lo?”, perguntou a recepcionista.
“Oi, temos uma reunião com o Sr. Astolfo.”
“Qual o nome de vocês... Meu Deus!”
A primeira pessoa a levar um susto com Ana Cláudia.
“Ana Cláudia e David.”, disse Ana, tomando as rédeas da conversa.
“Hã, Ok! Ana Cláudia e David. Só um minuto, por favor.”
A mulher saiu da mesa e foi fofocar com alguém numa sala, atrás da recepção. A coitada está comentando com a amiga, provavelmente a outra recepcionista, num volume que o Rodrigo, lá no centro, poderia ouvir.
As duas apareceram com um ar desconfiado e sentaram-se em suas cadeiras de rodinhas.
“Vou ligar para saber se o Sr. Astolfo já está disponível.”, disse a recepcionista que tinha nos atendido.
O engraçado é que ela não olhava mais em nossa direção, apenas para o monitor a sua frente. Foi a primeira, e espero que a última, vez que vi Ana Cláudia com raiva.
“Você está com algum problema?”, perguntou Ana para a recepcionista.
“Eu? Não, senhora!”, disse a mulher, mantendo os olhos vidrados no monitor.
“Por que você não está olhando pra mim então?”
“Estou trabalhando, senhora!”, disse ela, sem desviar os olhos.
“Eu estou perguntando algo a você e você me responde sem olhar para mim.”
“Senhora, estou tentando entrar em contato com a secretária do Sr. Astolfo.”, disse ela, se esforçando para olhar para Ana.
“Ok, então!”
Assim que Ana Cláudia se virou, a mulher deu um suspiro de alívio. Ana ouviu e já ia se virar para reclamar, quando a outra secretária avisou que o Sr. Astolfo já estava disponível para nos receber, sem olhar em nossa direção, claro.
Quando entramos no corredor de acesso à sala do sujeito, ouvi as mulheres cochichando, dizendo nunca ter visto algo parecido na vida. Ainda bem que, dessa vez, a Ana Cláudia não ouviu.
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Existe uma piadinha no ramo de informática que diz o seguinte:
"Somente dois profissionais no mundo possuem usuários: os analistas de sistemas e os traficantes."
Acho que isso ilustra bem a situação da classe.
Existe uma piadinha no ramo de informática que diz o seguinte:
"Somente dois profissionais no mundo possuem usuários: os analistas de sistemas e os traficantes."
Acho que isso ilustra bem a situação da classe.

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