“Ela fez o quê?”, perguntou Gilberto.
Estávamos no café, como de costume. Gilberto não estava fazendo nada e acabei chamando-o para conversar. Tinha que contar para alguém o que tinha ocorrido na reunião.
“Ela peitou o Astolfo! O cara parecia um cachorro sem dono ao final do esporro.”
“Cacete! A mulher, além de feia, é macho mesmo!”
“Eu fiquei atônito. Não conseguia me mexer, atracado com a cadeira.”
“Eu nunca imaginei em falar isso, mas você tem sorte de ter uma mulher assim trabalhando com você.”
“Eu também nunca imaginei em concordar com você. Não sobre isso.”
É incrível como algumas pessoas são curiosas. O Jorge, um técnico fofoqueiro da empresa, nunca toma café, mas, hoje, ele resolveu entrar na copa para pegar um. Ele deve estar tentando pescar alguma coisa do que estamos falando, mas ele não vai conseguir.
“E a festa?”, perguntou Gilberto, tentando mudar de assunto.
“Nem sei se vou. Estou com preguiça.”
“Eu também não estou com muita vontade.”
Bom, a mudança de assunto deu certo. Ele já foi embora. O sujeito é chato e inconveniente. Como podem existir pessoas assim? Agora podemos voltar ao assunto.
“Você perguntou o porquê dela ter feito aquilo?”
“Perguntei na volta. Ela disse que não estava agüentando mais aquele homem me maltratando.”
“Vixi! Ela deve estar apaixonada por você!”, disse ele, gargalhando.
“Sai pra lá, urubu! Já tenho compromisso pra hoje a noite!”
Não consigo imaginar alguém pegando a Ana Cláudia. É até estranho dizer isso, mas o marido dela tem sorte de ser cego.
“E aí? Empolgado?”
“Como nunca estive!”
“Eu estaria também, se fosse você.”
“Vai pra lá que horas? Já são 17h30min.”
“Vou às 18h mesmo, na hora que abre aquele lugar.”
“Eu vou com você então.”
“Cara, me deixa ir trabalhar. Preciso, ainda, ver se o Rodrigo terminou de corrigir o erro no sistema de Avaliação de Desempenho.”
“Não gosto de fazer isso, mas, quando passei por ele, ele estava de cabeça abaixada. Parecia dormir.”
“Não acredito! De novo?!”
“Ele estava normal, trabalhando. Mas aí colocou as mãos na cabeça e se abaixou na baia.”
“Mãos na cabeça?”
“É.”
Isso não é um bom sinal.
Here and Back Again...
Há 14 anos

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