Capítulo 67 - O Primeiro Round

Quando a cerveja é de graça, seja qual e onde for a festa, o balcão sempre estará cheio de pinguços amontoados, impedindo a sua passagem. A dificuldade em uma boate, por exemplo, chega a ser absurda, tamanho o esforço para se chegar ao objetivo. Hoje, claro, não está diferente.

“Me dá uma cerveja, por favor!”

Pedi ao garçom, que me ignorou. Será que ele não foi com a minha cara ou está dando preferência para aquele grupinho do marketing ali do outro lado.

“Garçom! Uma cerveja!”
“Uma pra mim também.”

Júlia apareceu ao meu lado, suando. As gotas de suor escorriam por entre seus seios fartos, dando certo brilho a sua pele queimada de sol. Ela balançou o cabelo tentando se refrescar do calor insuportável que devia estar sentindo. Eu fiquei imóvel, claro, tentando buscar palavras para expressar o tesão que eu estava sentindo. Melhor ficar calado para não falar besteira.

“O gato comeu sua língua?”
“Ainda não.”
“Que bom, pois você vai precisar dela.”

Uma cantada dessa vinda de uma mulher maravilhosa assim, só pode ser brincadeira. Tenho certeza de que os malucos pagaram essa mulher pra fazer isso ou então ainda estou sonhando, agarrando meu travesseiro babado.

“Você demorou, pensei que não vinha mais.”
“Eu tive um problema no trabalho.”
“Eu imaginei. Que bom que você veio.”

Fiquei completamente sem assunto. E isso é ruim, muito ruim. Eu não posso travar com uma mulher dessas. Eu não travei com a coelha lá fora e nem com a mulher do ônibus, por que travaria com ela? Respira fundo! Acalme-se!

“Eu não perderia essa festa por nada.”
“E qual seria o motivo?”
“Você sabe qual o motivo.”
“Não sei não, me fala?”

Ela já estava muito próxima de mim, quase encostando o rosto molhado no meu. Lógico que tinha que acontecer alguma coisa para atrapalhar nosso beijo.

“A cerveja de vocês!”, disse o garçom, colocando as cervejas no balcão.

Ela se afastou de mim por causa desse garçom imbecil! Eu estava prestes a quebrar a primeira regra. E eu estava muito feliz por isso!

“Vou dançar mais um pouquinho, tá?”, disse ela, colocando a mão no meu queixo.
“Vai lá. Mas não se cansa muito, pois você vai precisar de fôlego mais tarde.”
“Pode deixar que, isso, eu tenho de sobra.”

Ela foi embora e meu coração está batendo mais rápido do que coelho trepando. Entrei em transe, pensando em todos os momentos maravilhosos que irei passar com ela hoje à noite. Coisas nunca antes imaginadas. Estou em êxtase permanente e ninguém vai conseguir tirar isso de mim. Não hoje.

Quando voltei a mim, percebi que os quatro estavam em grupo, olhando pra mim, de bocas abertas. Uma indireta certeira e uma resposta positiva. É a primeira vez que isso me acontece.

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