As lembranças das minhas conquistas, ao longo desses anos, não são muito agradáveis. É lógico que, à medida que vai ficando mais velho, você vai pegando experiência e, com isso, fica mais confiante. Mas, mesmo assim, você, com certeza, ficará sem respostas ou em um beco sem saída em algumas de suas conquistas.
A minha primeira investida foi quando eu tinha quinze anos. O nome dela era Rebeca e era uma das meninas mais bonitas da minha escola, só pra variar. Eu já gostava dela desde os doze anos, mas só criei coragem aos quinze. Foram três anos de sofrimento, só pra chegar numa garota. O resultado? Levei um não, claro.
Estávamos numa festinha do pessoal do colégio, na casa de um dos malucos da turma, o Alfredo. O pai do Alfredo tinha tanto dinheiro que ele brincava de montar castelo de cartas com notas de cem dólares. A casa do cara era enorme, bem parecida com a do meu sonho de hoje de manhã, mas sem as árvores imponentes e os passarinhos cantantes.
Os pais dele tinham viajado e, como todo garoto de quinze anos que quer aparecer, ele convidou todo mundo para uma festa em sua casa. Era tudo de graça, por isso, todos foram, inclusive os mais humildes. Era tanta comida e bebida, que metade do povo passou mal, todos com indigestão.
A garota estava lá e eu bem longe dela. Tinha medo, vergonha, nervoso, qualquer sintoma de um pré-beijo na garota dos seus sonhos. Bebi algumas cervejas e criei coragem.
“Oi Rebeca.”
“Oi David. Aconteceu alguma coisa?”
“Não, nada.”
“Então o que foi?”
“Eu queria conversar com você, só isso.”
“Pode falar.”
“Poderíamos ir ali atrás?”
“Por quê?”
“É particular. Não queria falar na frente de suas amigas.”
As amigas começaram a rir e eu comecei a ficar ainda mais nervoso.
“Pode falar aqui mesmo. Não tenho segredos.”
“Tá bom, então.”
Eu não tinha outro jeito, senão travar. Tentava falar, mas não conseguia. As garotas começaram a soltar risadinhas e Rebeca percebeu que aquilo estava me incomodando, me impedindo de falar. Foi então que ela resolveu ir comigo para mais longe, onde as garotas não pudessem ver.
“Pode falar, David.”
“Eu...”
“Pode falar!”
“Eu... estou apaixonado por você.”
“Você o quê?”
“Eu queria te beijar.”
“Olha David, não me leve a mal, mas você é muito novo e eu estou em outra.”
“Mas somos da mesma idade!”
“Garotas da nossa idade gostam de garotos mais velhos. Eu até acho você bonitinho, mas estou atrás de mais maturidade.”
“Tudo bem, então. Desculpe te incomodar.”
“Não fique triste, ok? Tenho certeza que você encontrará alguém pra te fazer feliz.”
“Podemos ser amigos, pelo menos?”
“Claro que sim.”
Ela saiu de perto de mim e voltou para as amigas. Fiquei olhando de longe ela contando tudo o que eu tinha acabado de dizer e as amigas gargalhando. Pelo menos ela ficou meio brava, pedindo que as amigas parassem com a brincadeira. Eu desencanei, parti para outras.
Depois de algum tempo, fiquei sabendo que Rebeca engravidou de um capitão de futebol do time da cidade. Ela ficou na merda, pois ele não assumiu o filho e foi jogar no exterior. Chegando lá, o sujeito morreu num acidente de trem. Tudo muito trágico, mas engraçado ao mesmo tempo. Pelo menos, na época, ela foi legal comigo.
O tempo foi passando, fui ficando mais velho e levando alguns foras. Com um acerto aqui e outro erro ali, fui procurando um padrão a seguir. Hoje consegui manter um padrão, mas nunca pensei em elevá-lo tanto assim, como com Júlia. Talvez seja hora de novas mudanças.

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