O caminho para o estacionamento foi rápido. Ela continuou me puxando pelo braço, como se estivesse desesperada com alguma coisa. Não sei se era falta de sexo, mas aquilo não era muito normal. Pelo menos é o que eu acho. Só não entendi o porquê de ser na minha casa. Será que é algum tipo de fetiche que ela gosta? Algo do tipo: “oi, eu não te conheço direito, mas vamos transar na sua casa estranha, pois tenho mais tesão assim?”. Ainda bem que Joana trabalha a noite.
“Você tem certeza que quer ir para minha casa? Podemos ficar em algum lugar por aqui.”
“Tem algum problema com a sua casa?”
“Não! Quer dizer, a minha irmã mora comigo.”
“E ela vai atrapalhar?”
“Ela trabalha a noite. Não vai atrapalhar.”
“Ela trabalha a noite?”
“É. Ela é promoter.”
Eu não podia contar pra ela que minha irmã é puta! Imagina se ela é da igreja ou algo parecido? Se bem que ela nem me conhece e já está indo pra cama comigo, então não pode ser da igreja. Pelo menos, eu acho.
“Promoter?”
“É. Promove festas.”
“Eu sei o que é promoter.”
Mancada! Ela deve estar pensando que eu acho que ela é burra. Não vai nem me deixar entrar no carro!
“Desculpe-me, não foi minha intenção.”
Ela parou, olhou pra mim e passou a mão no meu rosto. Ficou olhando por um tempo e sorriu. Foi se aproximando da minha orelha. Eu quase descarreguei a arma ali mesmo, no meio do estacionamento.
“Não precisa se desculpar, meu lindo!”
Afastou-se e me deu um beijo. Um beijo! O beijo mais gostoso e vitorioso do mundo! Movimentos perfeitos de língua e boca. Estou extasiado, perplexo e feliz. São tantos sentimentos juntos que não sei distinguir exatamente o que eu estou sentindo. Ela pegou os meus braços e colocou envolta de seu corpo, pedindo um amasso. Eu tive que responder a altura.
Levantei sua perna esquerda e a encostei em um dos carros próximos. Estávamos nos roçando como se nunca tivéssemos feito isso antes. Mais um fetiche será realizado: transar sob um carro em um estacionamento! Eu sonho com isso desde que vi o meu primeiro filme com aqueles cinemas abertos, onde você entra com o seu carro e esquece o filme para transar loucamente com a mulher ao seu lado.
Ela está me apertando contra seu corpo, pedindo mais e ao mesmo tempo dizendo “não, por favor! É proibido!”. Essa sensação é imensamente prazerosa. A mulher quer e você quer dar, mas ela sabe que isso é proibido, o que torna a situação ainda melhor.
Eu estou nas nuvens, pulando em colchões de algodão, como uma criança feliz que acabou de ganhar um brinquedo, há tanto tempo desejado.
“Pára! Não podemos fazer isso aqui!”
Eu não acredito que ela parou agora!
“Por que não? Não tem ninguém aqui!”
“Vamos para sua casa.”
“Você não pode me deixar aqui assim! Eu estou em desespero!”
“Eu estou vendo. Mas será melhor na sua casa, pode ter certeza.”
Ela me afastou e endireitou sua roupa. Pegou um espelho na bolsa e retocou o batom, além de tirar uma mancha da bochecha. Eu fiquei ali, parado, com a calça estourando. É a segunda vez que alguém me deixa assim hoje. Não é possível que eu seja tão azarado!
“Vamos! Você dirige meu carro enquanto eu vou fazendo brincadeiras com você.”, disse ela sorrindo.
Ela jogou a chave do carro e eu quase deixei cair. Era uma chave estranha que eu nunca tinha visto antes. Praticamente um quadrado. Ela foi andando na frente e parou ao lado de um carro importado prata, com um símbolo enorme da Mercedes na frente. Era um carro esportivo e muito bonito, bem ao estilo dos carros do James Bond. Ela ficou parada, esperando eu abrir as portas. E quem disse que eu sabia mexer naquilo?
“Aperte o botão.”
“Qual botão?”
“O único que tem aí!”
Pra mim, essa chave tem no mínimo uns trinta e cinco botões, mas um único “pressionável”. O carro fez um barulho e destravou as portas. Ela entrou e ficou me esperando. Eu, claro, fiquei babando mais um pouco a máquina que eu estava prestes a dirigir. Afinal, não é todo dia que um pobre coitado como eu, tem a oportunidade de dirigir um carro desses.
“Coloque a chave aqui.”, disse ela, apontando para o pequeno orifício no painel.
Coloquei a chave devagar, com medo de estragar alguma coisa. Olhei para o câmbio e me assustei ao ver que ele não era manual. Eu só dirigi carro automático uma vez na vida e foi uma experiência traumática!
“Você já dirigiu um carro automático antes?”
Acho que ela percebeu a minha cara de desespero.
Here and Back Again...
Há 14 anos

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